quarta-feira, 24 de agosto de 2011
domingo, 21 de novembro de 2010
memórias
AGOSTO 1986
Caminho para o Vidual. Prados cantados. Histórias dos dias.
Curiosidade…
Solidão no vasto espaço com que me defronto. O vento sopra forte, único, na rocha nua da paisagem. Companheiro. Olho em frente e perco-me na longitude do ambiente. Estás a meu lado, reinando, na terra agreste em que me sento. Pedras descarnadas de colorido e no entanto, vivas. Verde e rosa brotando das rochas milagrosamente esculpidas na paisagem.
Paz. O vento envolve-me o corpo. Flutuo. Coração. Terra. Rocha. Vertigem. Nasci de ti. Mil anos se vão e choro de te deixar. Janela aberta revelando o longe; aguarela entre rochas.
MOMENTO
(para o viajante)
Levava tristeza e recolhi no meu coração tufos infindáveis de verde, água jorrando por entre a erva caindo em toalhas de veludo. Os grilos ouviam-se inundando o espaço. Gritei e o eco embateu nos montes perdendo-se na áurea dos tempos. Sentei-me numa réstia de sombra projectada por uma árvore heróica. Agradeci e sorri. A água gelada envolvia meu corpo sorrindo à luz do dia. Paz na solidão da natureza. Tristeza de partir, de perder os dias que se infiltram na frescura das águas dançando nas pedras. Foram momentos de recantos ainda virgens. Minhas mãos tocaram a maciez dessa flora adormecida.
Encanto nos meus olhos, brilhando. Necessidade de gritar este sufoco de memória. Gerês
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Amar o verbo amar é demasia
Amar o verbo amar é demasia
Basta amar quanto baste
A vida, o mar e a maresia
As estrelas, o céu e a imensidão
Amar o Homem na sua exactidão
Nos gestos menores
Do dia-a-dia
Na sua breve alegria fugidia
No seu longo penar
De lenta agonia.
Amar o verbo amar é demasia.
José Almeida da Silva In " Amanheceste em mim pelo poente"
- Não há nada a dizer, é simplesmente belo!